sexta-feira, 21 de março de 2014

Porco desodorizado


Ou mais especificamente, estrume de porco desodorizado. O método de origem italiana, agora a ser testado em França implica o uso de chabazita. Este mineral da família dos zeólitos pode ser acrescentado à ração que os animais comem ou espalhado no terreno juntamente com o estrume. Através de pequenas cavidades na sua estrutura, o mineral tem a capacidade de captar amónio, o que consequentemente reduz a formação de nitratos que contribuem à eutrofia de águas e a emissão de amónio para o ar.

Suinicultores nas regiões italianas Emilia-Romagna e Toscana já utilizam chabazita como aditivo na alimentação desde há um par de anos, e o método está em estudo na região de Bretanha em França. Os efeitos ambientais imediatos são prometedores: a adição de 3% de chabazita à ração reduz a quantidade de amónio livre no estrume com cerca de um terço. Enquanto os suinicultores italianos têm acesso ao mineral localmente produzido, para os restantes o efeito ambiental ainda tem que ter em conta o transporte.

O mineral não é mineralizado e não são relatados efeitos nefastos sobre os animais. Ao contrário, pelo menos em condições sanitárias menos favoraveis, a adição de zeólitos à alimentação pode reduzir a ocorrencia de problemas gastro-intestinais

segunda-feira, 17 de março de 2014

Comportamento e Bem-estar Animal: Novo Estágio da Universidade Júnior no IBMC

É com grande satisfação que anunciamos a abertura de dois estágios de Verão em Comportamento e Bem-estar Animal para alunos do 10º ao 12º ano do Ensino Secundário. 

Fonte
Esta actividade, da responsabilidade do grupo de Ciências de Animais de Laboratório do IBMC, será realizada em duas semanas consecutivas do mês de Julho de 2014 para grupos de até oito alunos, estando incluída na oferta de estágios no âmbito do projecto Universidade Júnior, da Universidade do Porto, que vai já na sua 10ª edição. As inscrições serão abertas muito em breve no site da UP Júnior. 



Fonte
Esta iniciativa quebra um interregno de cerca de seis anos desde o estágio desenvolvido pelo nosso grupo em 2008 com o tema "Nós e os outros animais na investigação biomédica" (n.º 3 desta lista) e que integrou alunos do 11º/12º ano em projectos científicos em curso. O grupo tem no entanto desde esse ano tido a seu cargo um dia inteiro do estágio da Escola de Ciências da Vida e da Saúde (também da UP Júnior) em Neurociências, a cargo da Dr.ª Isabel Silveira. 



Um cão usado em cinoterapia
(da Vinculum Animal, acedida aqui)
Neste estágio temos o objectivo de apresentar bem-estar animal nas suas diferentes vertentes, integrando ética com ciência e abordando os principais grupos de animais com que interagimos ou dos quais dependemos (animais de laboratório, de produção e de companhia). Investigadores na área de bem-estar animal farão pequenas introduções teóricas a conceitos essenciais, como ética animal, bem-estar animal, metodologia científica, observações de comportamento, avaliação de bem-estar animal, bem-estar animal na investigação, bem-estar animal na agricultura e bem-estar de animais de companhia.




Os participantes terão oportunidade de realizar uma pequena experiência medindo a preferência de roedores de laboratório. Contactarão ainda com animais de produção e de companhia através de uma visita de estudo e uma demonstração, actividades para as quais contaremos com a colaboração de uma empresa que se dedica a cinoterapia e treino de cães (a Vinculum Animal) e de uma empresa dedicada à pecuária. 

No final do estágio, espera-se que os participantes sejam capazes de reconhecer a importância de uma abordagem científica para a avaliar e melhorar o bem-estar animal e que sejam capazes de aplicar esta metodologia a um nível elementar.

Petição para abolir o uso do Diclofenac na Europa

Fonte: BBC - Poisoning drives vulture decline in Masai Mara, Kenya
Está a decorrer uma petição enderaçada aos Comissários Europeus do Ambiente e da Saúde para abolir o uso do medicamento veterinário Diclofenac no espaço europeu. Este anti-inflamatório não esteróide é usado há décadas no combate da dor e inflamação em ruminantes (bovinos, ovinos e caprinos). Trata-se, no entanto, de uma droga altamente nefrotóxica noutras espécies, nomeadamente cães e aves. Especialmente vulneráveis são as espécies necrófagas - como os abutres - que se alimentam das carcaças de ruminantes medicados com diclofenac. Segundo o Programa Antídoto-Portugal:
dados relativos à mortalidade massiva de várias espécies de abutres em países asiáticos, nomeadamente na Índia e no Paquistão (...) revelaram que a elevada diminuição anual de adultos e sub-adultos se devia à insuficiência renal que era provocada pela ingestão de cadáveres com resíduos de Diclofenac, um anti-inflamatório de uso veterinário com que os ruminantes são medicados naquela região (Oaks et al. 2004).
Com o advento de novas drogas mais seguras e eficazes (como o meloxicam) o uso sistémico de diclofenac não apresenta qualquer benefício (para os animais tratados, a saúde pública e as espécies selvagens) que não seja o seu baixo preço. No entanto, a sua comercialização é permitida em Espanha e Itália, onde residem 80% dos abutres da Europa. Acresce o facto de que qualquer medicamento veterinário vendido em Espanha rapidamente se torna disponível em Portugal, já que existe um mercado paralelo que permite que os produtores pecuários se abasteçam, sem grandes dificuldades, de medicamentos para os seus animais no país vizinho.

O valor ecológico dos abutres - espécies que podem ser facilmente avistadas em Portugal nas regiões raianas do Tejo e do Douro Internacional - é inestimável e o seu papel na remoção de carcaças e prevenção de doenças insubstituível. Assinar a petição é, por isso, um dever de cidadania.

terça-feira, 4 de março de 2014

Problemas de separação no cão - estudo internacional

A Universidade de Lincoln, Reino Unido e a Universidade de Medicina Veterinária e Farmácia de Kosice, Eslováquia estão a realizar um estudo a nível internacional que visa melhorar a compreensão do comportamento do cão na ausência do proprietário.


 O comportamento destrutivo, a vocalização e eliminação inapropriada estão entre as queixas mais comuns dos donos de cães, resultando frequentemente na quebra do vínculo homem-animal, e em alguns casos, até mesmo ao abandono.



Se for dono/a de um cão pode contribuir com a sua informação para este estudo atraves do questionário.