quinta-feira, 26 de outubro de 2017

"Será que dá pums"?

"As cobras dão pums?"  

Foto de Ethan Kocak (Fonte)
Parece uma pergunta que o Bart Simpson faria numa aula de Biologia, e foi de facto esta pergunta de um adolescente ao seu irmão biólogo que desencadeou um rebuliço entre a comunidade científica no Twitter com a hashtag #doesitfart
E dessa discussão saiu o livro "Does it fart?", de Nick Caruso e Dani Rabaiotti (com contribuições de cientistas e criadores da Twitterosfera) e ilustrações de Ethan Kocac

Neste livro encontra respostas científicas para questões tão importantes como: 

- Que animais dão pums? 
- Porque é que as ameijoas arrotam mas não dão pums?
- Porque é que os das hienas cheiram particularmente mal?
- O que é um pum, afinal?

Neste livro encontrará tudo aquilo que sempre quis saber (ou não) sobre a flatulência animal e é  prenda perfeita para aquela pessoas que gostam de biologia, animais, têm sentido de humor e tem a mania que sabem tudo. 
Acho que é um livro ideal para mim!

sábado, 21 de outubro de 2017

II Simpósio Nacional de Órgãos Responsáveis pelo Bem-Estar Animal

É já no próximo dia 13 de Novembro que se realizará no Centro Champalimaud para o Desconhecido Fundação o II Simpósio Nacional de ORBEA, Órgãos Responsáveis pelo Bem-estar dos Animais usados para fins educacionais ou científicos. 



Após o sucesso da primeira edição, (relatório aqui) que chegou a ser mencionada na Assembleia da República, responsáveis pelo bem-estar de animais de laboratório das universidades e laboratórios de investigação científica  reúnem-se novamente para discutir e conjuntamente definir e implementar os melhores princípios e práticas em experimentação animal. 

Estará representada a DGAV, a Autoridade Competente, que irá fazer um ponto da situação ao nível da implementação da Directiva 2010/63/EU que regula a experimentação animal, bem como delegados da FELASA (Federation of Laboratory Animal Science Associations), que orientarão um workshop em avaliação da severidade de procedimentos nos animais. 

domingo, 27 de agosto de 2017

In memoriam - Sir Patrick Bateson

Lamentavelmente, é o meu segundo obituário seguido no Animalogos, mas não poderia deixar de deixar a minha homenagem a Sir Patrick Bateson.  


Mas ao invés de listar todas as  importantes contribuições de Bateson para a ciência do comportamento animal (tendo ainda este ano publicado um livro sobre a relação entre adaptação do comportamento ao nível do indivíduo e evolução biológica da espécie), cujo resumo podem encontrar neste artigo do seu colaborador e amigo Paul Martin The Guardian, deixo-vos um testemunho pessoal da única vez que me encontrei com ele. 

Referência obrigatória para quem estuda ou
trabalha em comportamento e bem-estar animal 
Conheci-o em Varese, Itália, em 2011, quando ele foi convidado a dar um seminário num workshop sobre avaliação de sofrimento animal. Na verdade, conheci-o mesmo antes de chegar, pois chegado ao aeroporto ele constatou que eu me dirigia ao mesmo evento, e como tinha táxi pago pela organização ofereceu-me boleia, após se apresentar. 

Confesso que não o conhecia na altura, e he-de ter feito 'figura de urso' ao perguntar-lhe pelo caminho sobre o seu trabalho, mas na verdade ele estava mais interessado em ouvir do que falar, nomeadamente a respeito da crise que se vivia na altura, num Portugal intervencionado pela 'Troika'.

Foi só no dia seguinte que uma amiga que também lá estava me disse que ele era o co-autor do famoso Measuring Behaviour, um livro que praticamente todos os alunos e profissionais de Etologia tinham já lido e seguido. De facto, todos pareciam gravitar em torno do 'Prof. Sir Patrick Bateson', que desassombradamente dizia call me Patrick. 




Tive a felicidade de poder falar com ele durante algumas horas, pela noite dentro, numa discussão bem regada sobre política, religião e, claro está, muita ciência (como aludi aqui na altura), os dois últimos resistentes dum jantar no hotel. Apesar da grande distância entre um aluno de doutoramento português e um cientista reverenciado e condecorado, falou comigo como um par, ouvindo, fazendo perguntas, mostrando genuíno interesse, mesmo que qualquer coisa que ele dissesse fosse inevitavelmente mais inteligente ou interessante, mercê de tudo o que fez, conheceu e viveu (a elogia de Martin dá alguns exemplos). Na manhã seguinte, e apesar dos seus 73 anos, estava em muito melhor forma que eu. 

Essa conversa é uma das melhores recordações que tenho da minha vida profissional. Sendo indesmentível o legado de Patrick Bateson para a ciência e a sociedade, o que eu recordo hoje é o homem, e da impressão que me deixou da sua inteligência, humor e carácter.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Segue a nossa investigação!

Já visitaram o nosso Alive Pup Project?  Não, não começamos uma missão de salvar cachorros. Mas estamos a investigar porque ratinhos de laboratório morrem nos primeiros dias após nascimento. E podem seguir o nosso trabalho no blog, criado por Sophie Brajon que é investigadora de pós - doutoramento no projeto.

Não prometemos um thriller de alta velocidade, como a investigação tantas vezes é retratada na televisão com aquela jargão de "e ao mesmo tempo uma equipa em San Francisco está a fazer uma descoberta surprendente". Primeiro, a ciência raramente funciona assim. Segundo, mesmo quando funciona assim, demora tempo antes de se poder partilhar estas descobertas num espaço público. Só após um trabalho sólido de analise no laboratório e em seguida revisão por pares (outros cientistas) e publicação numa revista internacional, é que um novo dado está pronto para ser apresentado ao mundo.

Mas de vez em quando é possível de permitir um sneak-peak ao trabalho em curso. No mês passado, Sophie foi até Lisboa para falar do nosso trabalho no congresso da Sociedade Portuguesa de Etologia. Dai surgiu uma interessante discussão interdisciplinar, que ela conta aqui.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Doutoramento em comportamento social de cabras

Social networks, personality and social support in goats
Start date: 1 January 2018
Supervisor: Dr AG McElligott (Life Sciences)
This PhD studentship will be supervised by Dr Alan McElligott of the Department of Life Sciences (from 1 Sept 2017).
Dr McElligott’s research group is focussed on developing goats as a model species for comparative cognition and welfare studies. Traditionally, animal welfare research has focussed on identifying and preventing poor welfare. However, preventing poor welfare is not the same as providing animals with opportunities to experience positive welfare. Therefore gaining a better understanding of the cognitive abilities of goats and other livestock is critical for progress. This research will investigate the links between social networks, personality, social support and prosocial behaviour in goats.
The project will include behavioural observations, as well as cognitive and playback experiments. All data collection will be carried at an animal sanctuary, using a large number of habituated animals.
The successful candidate will need to be able to work independently, and as part of a team. They will receive appropriate training for the research, e.g. bioacoustics and other technology for studying behaviour and physiology (e.g. heart rates). It is extremely important that the successful candidate can maintain our excellent working relationship with the host animal sanctuary.
Applicants should have at least a 2:1 Honours degree (or equivalent) in Zoology, Psychology or a related subject and a relevant Master’s degree. International students are required to provide evidence of their proficiency in English language skills.
A full, clean driving license is required.
Informal enquiries about the project can be made by email to Dr Alan McElligott at amcellig@gmail.com

The Studentship
This PhD is fully-funded by Roehampton University Dept of Life Sciences and will cover Home/EU fees and provide an annual stipend at current Research Council rates.   International students would need to be able to pay the difference between Home and Overseas fees for the duration of the programme.

Application Process
  1. Download the Research Degree Application Form and Guidance Notes available here:
NB: there is no requirement to make prior contact with a member of staff to discuss your proposal as stated in the Guidance Notes.
  1. Please send the following documents as a single PDF to pgresearch@roehampton.ac.uk
with “Life Sciences Studentship” and your surname in the subject heading
  • A cover letter stating the reasons you are applying for this studentship and outlining your expertise and relevant skills
  • The completed Application Form (RDB1)
  • If English is not your first language, an IELTS certificate (see the Guidance Notes)
  • Your qualification documents (transcripts and certificates)
Referees should be asked to submit references direct to the above email address, as soon as possible.
Closing Date: Midday on September 1, 2017
Interviews are expected to be held in the week commencing September 18, 2017.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Não há investigação suficiente em bem-estar animal em Portugal?



Bem, o ponto de interrogação é um eufemismo diplomático, realmente acho que deveria ser um ponto de exclamação. Pode ser justo questionar se a minha opinião não é tendenciosa pelo facto de eu ser investigadora da área em Portugal e gostar de ter mais colegas. Mas posso apoiar a minha posição em dados concretos. Hoje recebi da FCT uma lista das ações COST em que falta membros portugueses – e 3 de um total de 7 são de tópicos que claramente pertencem a área de bem-estar animal. 


As ações COST são mecanismos de networking em ciência na Europa. Ao reunir investigadores de diferentes países que são especialistas num determinado tópico, através de uma ação COST pode se fazer um balanço do estado-de-arte e identificar lacunas no conhecimento e maneiras de abordar essas lacunas. Para o cientistas individual, participar numa ação COST é uma excelente oportunidade de alargar a sua rede de contactos e aprender mais.


Como não trabalho com nenhum dos tópicos em questão, não vou ocupar um dos lugares disponíveis. Mas espero sinceramente que os colegas portugueses que trabalhem com galinhas poedeiras, porcos e grandes animais de laboratório o farão!

quinta-feira, 4 de maio de 2017

In memoriam: Jaak Panksepp - O cientista que fazia os ratos rir

Deixou-nos aos 73 anos o neurocientista de origem estónia Jaak Panksepp, que se dedicou ao estudo do que chamou "neurociência afectiva", focada na base neuronal das emoções. Estava previsto ser key-note speaker do próximo congresso da UFAW e queria muito ouvir a sua apresentação. Infelizmente, já não será possível.
Jaak Panksepp. Fonte: Discover Magazine.
O seu trabalho teve impacto considerável na ciência do bem-estar animal (era Baily Endowed Chair of Animal Well-Being Science, uma cátedra da Universidade de Washington), tendo sido uma grande referência para cientistas como Temple Grandin. 

Panksepp propôs que o instinto para brincar é comum nos juvenis de muitos mamíferos - incluindo os ratos -  por ser impulsionado pelas partes mais primitivas do cérebro, ao invés do córtex cerebral. E para que a motivação para brincar se tenha conservado longo de milhões de anos - não obstante o maior risco de expor os juvenis a predadores - é porque a mesma confere importante vantagens evolutivas, como as competências sociais, como explicado neste vídeo animado. Assim, Panksepp urge-nos a deixar as crianças brincar, tanto quanto possível, se queremos que tenham saúde mental e sucesso como adultos. 




De todas as suas contribuições para a ciência, sem dúvida a mais conhecida - e controversa - foi o ter proposto que os ratos e outros animais também "riem". No caso dos ratos, fazem-no com vocalizações inaudíveis para os humanos, na gama dos ultra-sons, podendo-se observar este comportamento nas brincadeiras dos  juvenis e quando lhes fazem cócegas (sim, cócegas).

Como resultado do seu trabalho em humanos e animais (como cães, ratos e cobaias) Panksepp propôs sete emoções primordiais - seeking, rage, fear, lust, care, panic, play - comuns a várias espécies (ajudando ao desenvolvimento de novos fármacos antidepressivos), não só abrindo uma janela para a compreensão do comportamento e emoções de outras espécies animais, como também mostrou o quanto nos são próximas. 

Mas nada como ouvi-lo nas suas próprias palavras.



sexta-feira, 17 de março de 2017

Imposto sobre agricultura insustentável?

Não é (ainda) uma proposta na agenda política, mas a ideia foi recentemente lançada pelo Professor Emérito Frank Berendse da Universidade de Wageningen dos Países Baixos numa carta na revista Nature: As the debate heats up over the European Union's new Common Agricultural Policy (CAP) for 2020, I propose introducing a progressive tax that is based on farmers' purchase per unit area of pesticides, antibiotics and imported animal feed such as soya beans (…). Farmers practising sustainable management would be rewarded with increased sales, higher incomes and greater societal respect. (…) A progressive tax on agricultural practices that damage health and the environment would soon pay for itself. It would compensate farmers for lower production by reducing costs and increasing market share. Food prices will increase, but will lead to substantial, price-driven shifts in the sale of sustainable products.

O mapa mostra a venda de antibioticos para animais usado na produção de alimentos na União Europeia (dados de 2013, fonte European Surveillance of Veterinary Antimicrobial Consumption (ESVAC)


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Bestiário tradicional português - apresentação do livro

Animalogos não vai deixar de ser um blog sobre animais de carne e osso, mas a imaginação também tem asas!